26/4/08
A Ideologia Emburrece

“Despreze o conhecimento e faça todos pagarem por sua ignorância.”
Antigo provérbio chinês
Nesses dias saiu em uma revista a reprodução de trechos de uma aula de ‘história’ nesses cursinhos pré-vestibulares. A aula é do tal ‘Carlão’ do Anglo de Tatuí (SP). Nessas aulas bizarras (que podem ser vistas no Youtube) ‘Carlão’, além de usar um palavreado de boteco, repleto de palavras de baixo-calão, aproveita para mentir e contar verdadeiros absurdos para seus alunos. Carlão faz um proselitismo vagabundo de esquerda e inflama-se no viés antiamericano, talvez se refira aos Estados Unidos como o ‘grande satã’ como fazia o Aiatolá Khomeine. Além de molestar ideologicamente jovens mentes ele se utiliza da mentira e de dados falsos.
‘O mundo veio abaixo’, como se o fato fosse uma grande novidade. Isso ocorre pelo menos há trinta anos nas salas de aula brasileiras. Passei a vida escolar sendo molestado intelectualmente por professores ‘esquerdinhas’ que usavam suas aulas para propagar sua desonestidade intelectual ao invés de ensinar com qualidade, ou ao menos ensinar alguma coisa. Coincidência ou não todos eram umas porcarias de professores. Na faculdade me deparei com eles novamente, na verdade os campi brasileiros são braços da esquerda nacional e já estão a serviço dos ‘intelectuais’ orgânicos de esquerda há anos. Se eles não formam mais acéfalos para sua causa, pelo menos formam ‘idiotas úteis’.
Não é de se estranhar que a qualidade do ensino brasileiro seja tão ínfima e continue em constante queda. Não me refiro ao ensino público apenas, mas principalmente as escolas particulares, os molestadores ideológicos mais ferrenhos se aninham dentro das instituições de ensino particulares. Para resolver o problema de décadas de professores péssimos e mal preparados, aliado com alunos desinteressados e preguiçosos, criou-se o ‘fast-food’ da educação no final da década de 1990. Depois inventaram um sistema de cotas e hoje temos faculdades ‘on line’ que duram dois anos. Tudo para o Brasil melhorar sua figuração dentro do ranking das nações unidas sobre escolaridade da população. Hoje, seguramente, um universitário brasileiro possui uma educação pior e defasada em comparação a um estudante de segundo grau norte-americano, japonês ou europeu.
O que me estranha é o porquê da existência de cursos pré-vestibulares, já que entrar em uma faculdade é muito fácil e hoje para o mercado, não importa onde e quando você se formou. Afinal sequer empregos que atendam a demanda de profissionais qualificados com nível superior existem.
Há décadas que a sociedade semi-capitalista e sub-democrática brasileira está à mercê dos tais ‘intelectuais’ de esquerda e de professores petistas infiltrados dentro das salas de aula. Nesse submundo da educação existem dois tipos de ‘intelectual’ engajado politicamente. O primeiro é correto, mas tem um fanatismo exacerbado. São pessoas que não tiram vantagem nenhuma em apoiar o PT, ou à esquerda, fazem sem receber nada em troca. Mas são capazes de perseguir e retalhar alunos que não rezam junto a sua cartilha ou que fazem críticas ao PT ou à esquerda. É um apego ideológico, e ideologia emburrece. O segundo tipo é o intelectual de um oportunismo atroz, como Marilena Chauí. Uma pessoa com a formação dela não pode dizer que, quando Lula abre a boca, o mundo se ilumina. É uma professora universitária que diz que o mundo é iluminado por alguém que faz a apologia da ignorância, que é capaz de dizer "minha mãe nasceu analfabeta". Alguns membros do PT fazem essa apologia.
Os dois grupos são formados por intelectuais originados da ortodoxia marxista. Houve um bom período de domínio hegemônico dessa corrente na universidade. Os partidos comunistas mais ortodoxos sustentavam grupos universitários de poder, controlando cargos acadêmicos, formação de colegiados e até publicações. Nem precisava ser membro de algum desses partidos para ter essa sustentação, bastava ser uma linha auxiliar, um simpatizante ou ‘idiota útil’ no dialeto dos esquerdistas. Essa instrumentalização hoje se mantém, ainda que com menor vigor. Esses monopólios são difíceis de ser quebrados.
Embora seja fato que essa influência tenha sido mais dominante em um passado não muito distante, ela não está longe de ser considerada inofensiva. Ela criou várias variantes ao longo do tempo. Além da ortodoxia marxista, e do gramscismo puro, outra corrente acadêmica muito forte é aquela com raízes românticas, representada principalmente pelo Sérgio Buarque de Holanda (1902-1982).
Ela produziu grupos extremamente conservadores. Do romantismo você não pode esperar outra coisa. É uma posição pacificadora. Hoje em dia ninguém acredita no homem cordial do Sérgio Buarque, em uma sociedade harmoniosa, mas essa idéia persiste e passou pela antropologia americana, pela Igreja, pelas comunidades eclesiais de base, pelas organizações não governamentais e deu origem a um vocabulário próprio. A primeira etapa da doutrinação ideológica é a implantação de um vocabulário. Atreva-se falar ‘favela’ dentro meio acadêmico, logo alguém irá ‘corrigi-lo’ para o termo ‘comunidade’.
Será preciso um número igual de décadas de trabalho sério para a melhoria do ensino brasileiro e para desmanchar o palanque armado nas salas de aula. Mas não será tarefa fácil, pois são grupos de poder que se instalam e que têm uma circulação interna de auto-sustentação muito grande. Basta observar os trabalhos de pesquisa, as pessoas se citam reciprocamente, e abundantemente. A censura ideológica, imposta por esse grupo, neste país é muito grande e hoje, obviamente, já pulou os muros das escolas e dos campi e tomou a sociedade toda.
Os gramscistas e comunas de toda espécie infectam nossas escolas e universidades com sua doença mental há quarenta anos. Eles geraram seus filhotes, há vários ‘Carlões’ espalhados país afora despejando seus dejetos mentais no lugar de ensinar alunos. Eles trocam o dever de preparar jovens com instrução e cultura pelo prazer de molestá-los ideologicamente. Basta olhar o quão mal informados, alienados e tapados são os nossos jovens e nossos universitários. O lulo-petismo-esquerdismo conseguirá levar o nosso semi-capitalismo e nossa sub-democracia para um pré-feudalismo medieval.
criado por Marcos Otterco
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