29/4/08
Uma mão lava a outra…

A Folha online noticiou o fato de que os grandes rivais da política nacional, PT e o PSDB tentarão se coligar em cerca de 200 cidades brasileiras nas eleições municipais marcadas para outubro. Não se engane com o jogo de cena feito pela Comissão Executiva Nacional do PT, que decidiu ‘proibir’ a aliança da legenda com o PSDB em Belo Horizonte. Dom Luis 51 já foi enfático em dizer que trabalhará para que a aliança ocorra. O fato não é novo, já nas eleições de 2004, os dois partidos fizeram coligações em 121 municípios, vencendo a eleição em aproximadamente 44% dos casos.
A prática não se trata de mais um exotismo típico da política tupiniquim, apenas mais uma demonstração de que todos os partidos brasileiros estão alinhados com seus próprios interesses. O professor de filosofia Roberto Romano, possui uma frase que define bem o que ocorre: “Os tucanos e os petistas são primos.” Eu vou além do professor Romano e afirmo que todos os partidos políticos nacionais são primos. Se bem que alguns são filhotes de outros. O PSTU e o PSOL são filhotes ‘rebeldes’ do PT, que por sua vez, é neto do velho PCB e aparentado do PMDB. Já o PSDB é um filho pródigo do PMDB, é primo legítimo do PT e sai, ás vezes, com o DEM para brincar. A verdade sobre a política nacional é que todos os partidos políticos nascem da mesma fonte. Todos possuem usos e costumes parecidos, alguns inovam e ousam um pouco nas práticas corruptas, como é o caso do PT, mas na essência são muito parecidos. Segundo dados do STE (Superior Tribunal Eleitoral) existem 39 partidos políticos registrados no Brasil. Além de absurdo, esse número chega a ser indecente e até antidemocrático. O sistema político e eleitoral brasileiro é um verdadeiro tiro na democracia e um convite a corrupção.
A política nacional é dominada pela oligarquia dos partidos, representados pelo coronelismo político do norte e nordeste brasileiro, aliado com os ‘caciques’ do sul e sudeste. São figuras que mantém um poder sólido dentro do partido e da política, mesmo atuando pelos bastidores. Casos de Orestes Quércia, Paulo Maluf, José Dirceu, José Genoino e Fernando Henrique Cardoso, que ainda são muito poderosos nos bastidores de seus partidos e dão as cartas no jogo político.
Não existe uma cultura nacional em pesquisar ou mesmo procurar por informações sobre a história dos partidos políticos e mesmo suas ‘ideologias’ ou linhas de atuação política. É obvio que fidelidade e coerência político-partidária inexistem no Brasil, mas sequer há uma noção por parte dos eleitores de como surgiu ou mesmo qual é a linha adotada pelos partidos nacionais.
Há muitas idéias equivocadas na cabeça do eleitorado brasileiro, por exemplo: o PSDB é um partido de esquerda, na realidade existem apenas partidos de esquerda ou ‘centro-esquerda’ no Brasil. Afinal o PSDB nasceu de um flerte de Mário Covas, Fernando Henrique Cardoso e Magalhães Teixeira com a social democracia dos trabalhadores europeus. Os tucanos injustamente foram taxados de ‘neoliberais’ por seus primos rancorosos do PT. Isso é uma mentira, se tem algo que o PSDB passa longe é de qualquer tipo de liberalismo econômico ou político. O plano real deu essa impressão por ser uma cópia acanhada das políticas econômicas realizadas por Margareth Thatcher e Ronald Reagan na Inglaterra e nos Estados Unidos na década de 1980. Se o PSBD fosse de fato um partido liberal na política econômica, teria reduzido o Estado, sua máquina e sua sanha tributária nos oito anos que governou o país, e isso não ocorreu. Basta observar a trajetória de FHC, Covas e Serra, todos eram marxistas da USP de 1960. Não se engane com o DEM, PP ou qualquer ‘Democrata Cristão’ que aparecer, eles não defendem uma agenda de liberalismo econômico na política, apenas adotam um discurso diferente do usado pelos socialistas e social-democratas, mas na prática mantém as mesmas políticas e leis atrasadas e são ferrenhos defensores do Estado interventor, predador e suas máquinas.
Essas alianças não me surpreendem em nada e sequer me espantam, na realidade quase nada me espanta mais nessa vida. Os partidos políticos brasileiros se comportam como seitas, cultos e alguns como verdadeiras famílias mafiosas. Quando os militantes desses partidos se agridem mutuamente é uma mera guerra de seitas acontecendo, eles não divergem tanto assim, apenas estão disputando para ver quem é o melhor. Os políticos brasileiros, seus partidos e suas militâncias possuem compromisso apenas com uma coisa: seus próprios interesses, por isso eles possuem essa capacidade camaleônica de mudar de partidos como que troca um par de meias ou de dormirem defendendo uma coisa e acordarem lutando por outra, depois basta se definir como ‘uma metamorfose ambulante’. Não há nada mais flexível do que a espinha de um político brasileiro.
A estrutura política é tão dominada pelas oligarquias regionais, que sequer conseguimos defenestrar figuras da política nacional como Orestes Quércia, Paulo Maluf, Marta Suplicy, Lula, Collor de Mello, Severino Cavalcanti, José Dirceu, Aldo Rebello só para citar alguns exemplos. Vamos agüentar todos até o fim de suas vidas, ou pior, mesmo depois de mortos continuarão a nos assombrar, afinal Brizola, Tancredo Neves, Covas e ACM não estão ‘rodando’ por aí, até hoje?
criado por Marcos Otterco
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